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ARTUR GONÇALVES, O Cepeda

Categoria: Barroso Publicado em sábado, 19 março 2016, 22:33

De atirador de malhão a campeão nacional de peso. Quem dele se lembra?

Artur Gonçalves é natural de Cepeda, freguesia de Sarraquinhos, concelho de Montalegre. Ainda jovem, começou a dar nas vistas nas feiras, festas e romarias quando, há décadas atrás, era costume os homens mais fortes medirem forças no jogo do malhão. Artur Pires Gonçalves, mais conhecido por Cepeda, depois de se tornar conhecido como grande campeão no jogo do malhão não só em Montalegre mas também por terras da Ribeira, por influência de amigos seus, inscreveu-se no Académico do Porto e lá, com duas aulas por semana, foi aperfeiçoando a técnica do lançamento do peso e do disco, bem diferente do lançamento da pedra a que estava habituado nas terras de Barroso.

 

Porém, a força superava a técnica e cedo revelou o seu talento. Entrando nas competições, foi Campeão Regional do Norte no lançamento do peso e do disco.

No Académico do Porto não esteve mais que meio ano porque, de novo aliciado por um amigo benfiquista estabelecido em Lisboa, rumou à capital.

Os primeiros contactos como atleta surgiram da parte do célebre prof. Moniz Pereira que viu nele potencialidades de tal ordem que quis leválo para o Sporting Clube de Portugal e aos Jogos Olímpicos já em preparação mas tal ideia colidia com a do amigo que o levara para Lisboa e que, por causa da paixão clubística, acabou por vingar, inscrever-se no Sport Lisboa e Benfica.

Durante três anos, na década de 60, entrou em muitas competições por este emblema e foi Campeão Nacional do Lançamento do Peso e do Disco. Segundo seu relato, gozou em Lisboa os melhores anos da sua vida porque, além de pagos os custos do alojamento e da comida, recebia ainda do Benfica uma boa mesada.

Nessa altura, dava-se o êxodo dos barrosões e das gentes jovens transmontanas para França e o Cepeda, arrebatado por amigos, acabou por abandonar as competições desportivas para se fixar em França na procura de uma vida estável e mais rentável.

Casou com Maria Emília dos Santos Rodrigues que lhe deu 4 filhas. Estabeleceu-se na grande cidade de Bordéus no ramo da hotelaria. O seu Restaurante passou a ser uma referência da cidade. Além dos franceses, nele os emigrantes se juntavam para matar saudades a lembrar as memórias do passado e a falar sobre a terra e as novidades que aconteciam.

Ali comeram e pernoitaram os grandes TONI e CHALANA, enquanto estiveram ao serviço do Bordéus, o primeiro como treinador e o segundo como jogador.

Incansável tanto no trabalho familiar como nas actividades sociais, fundou a Casa do Benfica de Bordéus de que foi presidente vários anos. Casa do Benfica que foi inaugurada pelo famoso Eusébio da Silva Ferreira e por donde passaram, de vez em quando, outros famosos deste clube lisboeta. Para além dos já citados Toni e Chalana, Jesualdo Ferreira, Raul Águas, Paulo Madeira e outros por lá faziam paragem para gáudio dos benfiquistas a trabalhar nesta região de França. E não só atletas, também Manuel Damásio e José Veiga, na altura Presidente e Director desportivo do SL Benfica respectivamente, Manuel Barbosa, empresário de Toni, José Eduardo Moniz por lá passaram em cerimónias de cariz clubístico.

O Desportivo de Chaves era para o Artur a sua segunda paixão clubística e, na presidência do amigo Castanheira Gonçalves, deu muito ao clube flaviense.

Entretanto, a sua vida familiar deu em desestabilizar e acabou em divórcio. Por esse motivo, regressou a Portugal e radicou-se em Chaves onde reside e tem a «Petisqueira IBÉRICA» para receber, por encomenda, clientes a quem serve os melhores pratos da gastronomia local e do norte de Portugal. Sim, Artur que foi campeão indiscutível na sua juventude é agora mestre em iguarias de se lhe tirar o chapéu que serve com particular agrado aos seus muitos amigos e a todos os que, em Chaves, procuram um refúgio para degustar uma boa comida.

Artur Gonçalves foi um desportista a nível nacional e campeão nas modalidades referidas do peso e disco, é por isso um barrosão ilustre que a Câmara Municipal tem obrigação de referenciar para exemplo dos mais jovens e perpetuar a riquíssima história do país barrosão.

Os que o conhecem e principalmente os seus muitos amigos apelam à autarquia montalegrense que , nos orgãos próprios, este ilustre barrosão seja lembrado, reconhecido e homenageado pelos seus grandiosos feitos no nosso país.

Artur Gonçalves, o Cepeda, merece mais que uma Medalha de Mérito Municipal. O povo barrosão deve ao Cepeda uma justa e grande homenagem.

Carvalho de Moura, in Notícias de Barroso