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A GUERRA: COISA ANTIGA, NATURAL E DOLOROSA

Categoria: Opinioes Publicado em sábado, 15 outubro 2016, 14:58

A GUERRA: COISA ANTIGA, NATURAL E DOLOROSA Como cada um de nós sabe bem, a guerra é coisa antiga, natural e dolorosa. Que é antiga sabemo-lo pela memória dos acontecimentos históricos. Que é natural resulta da própria natureza humana e do modo egoísta como os seres humanos, mesmo racionais, vivem a anos-luz do próprio Bem. Disse-me um dia, em conversa telefónica, um advogado meu conhecido: que é que tu julgas, ó Hélio, o Mal triunfa sempre. O mesmo que, numa ocasião anterior, a propósito de achar que eu era sério, me referiu: tu és sério a mais e quem se lixa é que é sério. E um velho amigo disse-me um dia, sorridente, que eu era cristão em demasia. Tudo isto mostra, pois, que a guerra é coisa inerente à própria natureza humana. E basta recordar a mais velha guerra da História do Homem, que é a guerra religiosa, que aí está hoje, bem à nossa vista, e que mostra como é impossível conseguir-se algo de similar à Paz perpétua. Mas a guerra é também dolorosa, porque gera um sofrimento sempre horroroso e muito próximo do limite, como se viu, por exemplo, com o Holocausto, com os crimes do Japão por onde passou entre 1939 e 1945 e se pode agora ver com o Estado Islâmico, mas nunca esquecendo a Inquisição e os séculos que tiveram que passar até a Igreja Católica pedir desculpa ao mundo. Ora, há uns dois anos atrás, pouco antes de Barack Obama visitar, no Vaticano, o Papa Francisco, a senhora de um casal da Opus Dei, na presença do marido, referiu, com voz prudente, que talvez estivéssemos a caminhar para uma nova guerra mundial. Uma previsão que vinha na sequência de lhe estar eu a dizer que o ambiente neoliberal estava a criar no mundo a sua própria sepultura, arrastando consigo todo o Planeta e os seus povos. Como o leitor conhece bem, nós, aparentemente, nunca tivemos tanta liberdade nem tanto conhecimento científico e tecnológico, mas a verdade é que a guerra se aproxima. E quem a está a trazer são, como se percebe, os Estados Unidos, bem como a França e o Reino Unido. E também agora pela mão de alguém do Partido Democrata, para mais com um católico militante, que segue de muito perto o magistério da Igreja Católica, prestes a iniciar as suas funções como Secretário-Geral da ONU. Convém que o leitor se dê conta do Estado da pobreza no mundo e da sua distribuição continental.

Que se aperceba, por exemplo, de que o recentemente falecido monarca da Tailândia estava no poder há sete décadas, quando mau se diz ser José Eduardo dos Santos, que só está à frente do Estado Angolano há menos de metade do tempo. No fundo, tudo é comandado por interesses, mais ou menos obscuros. É difícil não perceber o que realmente está em jogo. Ontem mesmo se veio a saber de documentação diplomática da Costa Rica, entretanto classificada de secreta há mui pouco tempo, por onde se poderá perceber o que, de facto, teve lugar no Brasil. A verdade, porém, é que, neste caso, nenhum grupo de jornalistas sequer se dá ao luxo de nos informar desta realidade, mesmo que a desconheça ao nível substantivo. É a democracia em movimento. E, como facilmente se percebe, se tal tivesse tido lugar na Rússia, bem, seria o bom e o bonito. Ao mesmo tempo, podemos hoje assistir, quase ao dia a dia, ao inenarrável espetáculo da campanha eleitoral nos Estados Unidos, cabendo ao Diabo escolher o vencedor. O exemplo supremo da democracia e da observância dos Direitos Humanos... Uma realidade social e jurídica que coloca o Estado Novo nos píncaros da garantia política em termos de liberdades, direitos e garantias. O resto é mera conversa. Certo, isso sim, é que a guerra é coisa antiga, natural e dolorosa. E também que irá continuar, com Guterres nas Nações Unidas, ou com uma mulher dentro de dez anos, embora seja impensável imaginar uma ortodoxa, ou uma islamita, mesmo uma judia. No entretanto, mesmo nas últimas horas, o ministro das Finanças de França veio expor que dirigentes de bancos dos norte-americanos lhe expuseram pretender transferir algumas atividades do Reino Unido para outros países europeus, na sequência saída deste da União Europeia. E a Escócia voltou agora a manifestar o seu desejo de sair do Reino Unido. Concomitantemente, diversos analistas mostram-se preocupados com a perigosa conjugação de fatores que pode influenciar as bolsas. Neste sentido, as bolsas dos Estados Unidos poderão vir a colapsar em breve, tal como se noticia hoje no Diário de Notícias. O último alerta terá sido dado pelo HSBC, a partir de uma análise aos mais recentes dados técnicos, com uma tempestade perfeita a aproximar-se perigosamente dos mercados norte-americanos. Creio, de resto, que Nouriel Roubini também havia já indicado que 2016 seria o novo ano de grande crise mundial. E tudo isto, claro está, com a maravilha do mercado em vigor. Simultaneamente, os casos que vêm envolvendo o Deutsche Bank. Casos que se espraiam do alegado tratamento de favor dado pelo Banco Central Europeu nos testes de stress, até à classificação pelo Fundo Monetário Internacional do Deutsche Bank como o banco global de maior risco sistémico, ou seja, maior potencial de colapso. Ao mesmo tempo, vários problemas com a justiça: intenção recente das autoridades dos EUA de o multar em 11,3 mil milhões de euros por envolvimento no designado subprime, passando pelo escândalo da manipulação da taxa Libor – multa de 2,35 mil milhões de euros em 2015 –, até aos mais recentes casos da lavagem de dinheiro na Federação Russa, onde se aponta o montante de 9,39 mil milhões de euros. Realidades a que tem de adicionar-se o que se passou com o setor automóvel e com o caso de Kristalina Georgieva. A maravilhosa Alemanha de sempre... Tudo se conjuga, pois, para a necessidade de uma guerra a nível global, de molde a permitir que os vencedores possam voltar a dispor de um mercado que permita a retoma do crescimento nos diversos setores, entretanto despedaçados pela anarquia criada pelo mercado, pelo neoliberalismo e pela globalização. Um caminho que também poderá ajudar a uma reformulação da distribuição religiosa no mundo, sendo que o que se tem hoje no domínio religioso é o que deriva da guerra eterna por razões religiosas. Uma coisa é a guerra religiosa, muito antiga e de sempre, outra as diversas guerrinhas, mais ou menos feitas sob o seu consentimento. É essencial nunca esquecer o que nos disse o general Vernon Walters, em certo documentário televisivo, já bem depois do fim da URSS: os Estados Unidos asseguraram o silêncio da Igreja Católica – João Paulo II – até ao final do (passado) século. Mas olhemos, então, o que está em jogo no domínio da guerra religiosa dos dias de hoje. Como já antes referi, trata-se de um problema muito antigo, praticamente desde que os humanos se tornaram sedentários e se organizaram em comunidades progressivamente hierarquizadas. Depois da tolerância e da aceitação do Cristianismo, ao tempo de Constantino, de pronto as restantes opções religiosas passaram a ser colocadas de lado, mesmo perseguidas. Isto mesmo pude eu ler nos livros hoje adotados na escola do meu netinho, talvez no seu sétimo ano. E desde que Roma deixou de comungar com a ortodoxia, operou-se a separação do que ficou conhecido por Igreja Ortodoxa, comunhão de igrejas cristãs autocéfalas, herdeiras da Cristandade do Império Bizantino, que reconhece o primado de honra do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Esta Igreja Ortodoxa reivindica constituir-se na continuidade da Igreja fundada por Jesus, considerando os seus líderes como sucessores dos apóstolos. Neste ponto, cabe perguntar: é falso ou verdadeiro? Bom, nem falso nem verdadeiro, antes uma interpretação, seguida da correspondente opção. Uma opção que deriva, em larguíssima medida, do lugar de nascimento e de educação. Significa isto, pois, que a Igreja Ortodoxa, tal como a de Roma, tem cerca de dois mil anos, apesar de a verdadeira separação se ter operado há perto de mil. Bem mais tarde, já no Século XVI, surgiram as separações do Luteranismo, do Calvinismo e do Anglicanismo. Todas se suportavam no inicial Cristianismo, mas continham cambiantes interpretativas e foram determinadas por fatores diversos. Com dimensão distinta, estas Igrejas continuam vivas e desenvolveram-se quase por todo o mundo, com menor expressão para o Luteranismo. A Revolução Francesa, primeiro, e o Tratado de Latrão, muito mais tarde, operaram mudanças de fundo nas relações entre o Estado e a Igreja Católica, mormente operando, em França e na Itália, uma separação clara entre o Estado e a Igreja Católica. Esta teve, obviamente, de aceitar estas decisões, mas nunca deixou de sonhar com o regresso ao seu passado de primado sobre o mundo temporal e político. Para tal, impunha-se voltar a juntar o que se havia tornado desavindo e separado. É neste sentido que interpreto a ação ecuménica posta em andamento pela Igreja Católica. Como se percebe facilmente, se se defende e aceita o Princípio de Liberdade Religiosa, não existirão razões para se andar por aí a defender um qualquer ecumenismo. Sendo diversas as religiões, cada uma deverá tolerar as restantes, com o mundo longe, nesta situação, dos riscos do proselitismo e da guerra religiosa, que é o que se pode hoje observar à saciedade, um pouco por todo o mundo. Acontece, porém, que os líderes religiosos, com as respetivas estruturas, não dispõem dos meios para operar uma qualquer guerra em defesa dos seus valores. Precisam, pois, de quem o faça em seu nome, embora de um modo não explicitado. É neste sentido que se tem podido assistir à tentativa de atingir o topo das grandes instituições formalmente laicas, mas de molde a que, por seu intermédio, se possam voltar a impor as velhas e históricas posições entretanto perdidas. Uma realidade especialmente presente na ação diplomática e política do Vaticano. Como facilmente se percebe, construir a Paz no mundo é coisa simples, mas desde que os que dirigem os Estados e as grandes instituições o desejem de facto. Neste sentido, terminado o tempo do comunismo no mundo, seria lógico introduzir a Rússia, mesmo muito outros Estados da Europa de Leste, no seio da OTAN. Simplesmente, os Estados Unidos e o Ocidente nunca tal aceitaram. E cabe aqui ao leitor dar esta resposta: porquê? E também questionar: que razões impediram a Igreja Católica de defender uma tal posição tão propiciadora da construção da Paz? Ou será que a Paz não é a mesma coisa para todos? Pois, a verdade é que não é. E a causa é simples: as desavenças religiosas de sempre... Há umas semanas atrás o Papa Francisco visitou a Geórgia, Estado de maioria ortodoxa, mas onde está presente uma pequena minoria católica. Uma visita em que tiveram lugar dois acontecimentos que terão passado ao lado da atenção da grande maioria. Por um lado, Francisco determinou-se a realizar uma oração numa estrutura católica, convidando o líder ortodoxo a acompanhá-lo na mesma. Simplesmente, deu-se o expectável: decorrendo essa oração numa estrutura da Igreja Católica, o líder ortodoxo não aceitou o convite. Será que o Papa Francisco aceitaria participar numa outra oração, mas presidida por um líder ortodoxo e numa estrutura da Igreja Ortodoxa? Não creio. De resto, estes encontros ecuménicos têm – é a minha opinião – pouco valor, mas desde que se aceite e pratique o Princípio da Liberdade Religiosa. Nesta visita Francisco exortou os católicos a que jamais se faça proselitismo com os ortodoxos. O que parece mostrar que tal proselitismo tem tido lugar. Simplesmente, o Papa Francisco sabia que a guerra que está a ser preparada pelos Estados Unidos contra a Rússia Ortodoxa poderá estar próxima, pelo que estas suas palavras terão de ser olhadas, precisamente, como proselitistas: poderá sempre dizer-se, no futuro, que foram os anglicanos ocidentais que operaram a guerra, não os católicos. Por outro lado, ninguém desatento e desinteressado poderá deixar de lado a visita de Barack Obama ao Vaticano. Como pude já escrever, a mesma não pode ter-se destinado a obter umas selfies com o Papa Francisco, antes tratar o modo como o mundo está a movimentar-se. O objetivo, em minha opinião, centrou-se, precisamente, em algo de semelhante ao operado com Vernon Walters e João Paulo II: conseguir o silêncio da Igreja Católica no caso de estalar o conflito que os Estados Unidos têm vindo a preparar com a Rússia. Talvez possa também a Igreja Católica vir a ganhar alguma coisa junto do ambiente ortodoxo russo. Ou de outras paragens. Por tudo isto se poderá perceber que a candidatura de António Guterres ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidos terá de ter tido um apoio profundo da diplomacia vaticana. Sem estranheza, pois, António Guterres mostra-se-nos com o coração partido em face do que se passa com a Síria, quando o sofrimento varre hoje o mundo por mil e uma paragens. Os povos do continente africano ombreiam, em pobreza e sofrimento, com os da Síria. E o mesmo se pode dizer, por exemplo, dos nunca citados palestinianos. Como o leitor irá agora poder observar, o caso palestiniano irá passar completamente ao lado da ação de António Guterres. De resto, isso foi já dito pelo Governo de Israel. Em conclusão: com democracias por todo o lado, com ciência e tecnologia a rodos, com ecumenismo por toda a parte, a verdade é que já todos perceberam que se pode estar à beira de um novo conflito mundial. Desta vez, naturalmente, com a utilização de armas nucleares, cuja utilização foi posta em prática na História da Humanidade pelos Estados Unidos. É o preço da mentira, da impostura e da manipulação dos espíritos. E por isso termino com esta sugestão ao leitor: tente ler a obra de Fernando Carvalho Rodrigues sobre AS NOVAS TECNOLOGIAS E OS CAVALEIROS DO APCALIPSE, publicada entre nós pela Europa/AméricA, bem como O DESPERTAR DOS MÁGICOS, de Bergier e Pauels. Só terá a ganhar em termos da perceção de quanto está a decorrer no mundo.