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As autárquicas.

Categoria: Opinioes Publicado em terça, 03 outubro 2017, 17:59

Tiveram lugar, finalmente, as eleições nacionais destinadas a escolher os representantes do poder local. Com mui aceitável precisão, teve lugar o que se esperava: um excelente resultado do PS, um terrível resultado do PSD. Simplesmente, estas eleições têm pouco para apontar, que seja reaalmente importante.

Talvez seja preferível abordar aqui os resultados realmente desagradáveis, bem mais que os que se saldaram em êxito. E existem três resultados que comportam amargura, embora em doses muitíssimo diferentes.

Em primeiro lugar, os resultados do Bloco de Esquerda, que ficaram longe de atingir os seus objetivos. Ainda assim, houve alguns êxitos. Globalmente, porém, as coisas ficaram como estavam.

Em segundo lugar, o caso da CDU. Não teve resultados agradáveis, mormente por ter perdido dez autarquias para o PS, para lá de ter também decrescido noutras em que continuou a vencer. Foi o caso de Loures, em que perdeu a Assembleia Municipal, perdeu mais duas frequesias e perdeu um vereador, ficando, neste aspeto, em condições idênticas ao PS.

E, em terceiro lugar, o caso do PSD, o verdadeiro grande derrotado da noite eleitoral e a todos os níveis. Sendo embora um resultado expectável, o mesmo faz reluzir o caráter malandro da vida político-partidária, com o surgimento dos há muito incansáveis trabalhadores da sombra contra Pedro Passos Coelho. Objetivamente, nunca tiveram a coraagem de o defrontar em eleições internas, vendo-se agora, sem estraheza, ajudados pela grande comunicação social que, diariamente, atua contra o PS e a coligação parlamentar que suporta o Governo. Simplesmente abjeto, como nos referiu Rui Moreira na sua intervenção de ontem. Em todo o caso, uma intervenção que se nos mostrou com um grau de mimetismo parecido com o apresentado, em certos momentos eleitorais, por Aníbal Cavaco Silva.

Importa, porém, que os portuguesese e os responsáveis políticos não se iludam: o PSD de Pedro Passos Coelho é o PSD de sempre, já desde Francisco Sá Carneiro, que se foi adaptando à deriva que se vem verificando no mundo. O caso de André Ventura é um indicador extremamente claro. O PSD depois de Pedro Passos Coelho – se vier a sair agora, claro está – continuará a perseguir os mesmos obetivos de sempre: mudar o texto constitucional e o Sistema Político e pôr um fim no Estado Social, talvez deitando mão dessa lebre recentemente aparecida, que é o rendimento social incondicional...

Termino com esta aparente contradição pessoal: sem mais, assim me vi a sentir pena de Pedro Passos Coelhho, de quem parecem começar a afastar-se os que foram promovidos por via da sua presença na ribalta política. Para já não falar na cobardia dos mil e um que começam a dar um sinalinho de si. É a porca da política!