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1.Clarificação retrospetiva.

Categoria: Opinioes Publicado em sábado, 08 dezembro 2018, 12:17

Com grande dificuldade, o partido ALIANÇA lá vai tentando impor a sua imagem no seio da comunidade portuguesa, que se lhe mostra completamente alheia. É natural que seja esta a realidade, para o que basta ter em conta o resultado da peleja entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes, em que este foi amplamente derrotado no seio do PSD, mas também o facto de a sua personalidade política principal ser, precisamente, Pedro santana Lopes.

 

Como facilmente se percebe, o ALIANÇA situa-se à direita do atual PSD, ideologicamente alinhado com o PSD de Pedro Passos Coelho, e muito mais próximo do CDS de Cristas que do PSD de Rui Rio e dos valores deste mesmo. O ALIANÇA é, objetivamente, um partido neoliberal. Simplesmente, Pedro Santana Lopes não pode reconhecer uma tal realidade.

Deste modo, o antigo Primeiro-Ministro decidiu tentar posicionar o ALIANÇA através de três linhas de força: diametralmente oposto à política do PS de António Costa, com o apoio parlamentar que se conhece e que tem funcionado bem; aparentemente revirado para os valores tradicionais, de molde a ir ao encontro de um eleitorado da Direita e que tem servido de base ao CDS e a parte do PSD; e europeísta, mas crítico. E, como é usual, cada uma destas linhas, se acaso nada vale, mais não é que a indiciação de um pensamento que se quer estratégico. A prática, como por igual se conhece, será para ver depois – se vier a ser possível, claro está...–, embora se possa ajuizar, com elevada probabilidade, no que viria a dar.

Nestes últimos dias soube-se que Paulo Almeida Sande será o cabeça de lista do ALIANÇA às próximas eleições para o Parlamento Europeu. Usualmente, é apontado como independente, mas trata-se, obviamente, de um qualificativo sem valor real. Mais correto será dizer-se que se situa na zona do PSD, CDS, ALIANÇA. De um modo simplista: Paulo Almeida Sande é um concidadão da Direita, que aceita, com toda a naturalidade, o neoliberalismo que triunfou e que está a levar o mundo no sentido desastroso que se vai podendo ver. Mas é alguém educado, gentil, sério e muito conhecedor da estrutura (desastrosa) da União Europeia. O problema é que também Ana Gomes satisfaz estes requisitos, tal como Marisa Matias ou João Ferreira. A grande – essencialíssima – diferença é que nenhum destes três é neoliberal.

Acontece que esta escolha do ALIANÇA comporta uma enorme vantagem, porque se veio agora a saber que Paulo Almeida Sande, profundamente europeísta, acaba por se distanciar das recentes declarações de Carlos Pinto, dirigente do ALIANÇA, que ligou a tragédia de Borba à falta de recursos do Estado pela obediência cega a Bruxelas. E também da tal linha de força do ALIANÇA, desde o início apresentada: europeísta, mas crítico. Enfim, já está a fazer-se luz sobre a realidade do ALIANÇA...