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DO POSSÍVEL À REALIDADE.

Categoria: Opinioes Publicado em sexta, 22 setembro 2017, 11:08

Chega a causar um sorriso de atrapalhação a recente receita de apontar o estado a que o atual Governo de António Costa chegou como sendo, por igual, obra da ação do liderado por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. E mais engraçado tudo se torna quando nos surge o penúltimo a garantir que tudo estaria hoje ainda melhor se o anterior Governo tivesse continuado no poder!

Trata-se, porém, de atos de verdadeiro desespero, porque os mais atentos recordam bem o que foi sempre dito pelos líderes da anterior Maioria-Governo-Presidente, e o estado a que as coisas, afinal, chegaram. Até Mário Centeno foi apontado, à laia de brincadeira, como o Ronaldo do Eurogrupo por parte do Ministro das Finanças da Alemanha. Indiscutivelmente, nada se deu como anunciado pelos vencidos, na Assembleia da República, das anteriores eleições para deputados.

No entretanto, desenrola-se a campanha eleitoral para as autarquias, sendo aqui de registar dois dados deveras relevantes.

Por um lado, a sondagem hoje surgida num grande diário nacional, a cuja luz, no Porto, Manuel Pizarro surge empatado com Rui Moreira. Nada que possa considerar-se estranho para mim, para o que bastaria ter raciocinado um pouco, valendo a pena – é a minha opinião, claro – ler os meus textos sobre a separação operada por Rui Moreira face a Manuel Pizarro.

Por outro lado, não deixa de ser dolorosa a imagem projetada por Teresa Leal Coelho nas suas deambulações de campanha. Para lá de não ter Teresa sido fadada para uma tal tarefa, a verdade é que tudo aponta para a presença de um incómodo íntimo, materializado numa ação forçada por parte da deputada laranja. O que sai é mau e o que se vê é pior.

Por fim, o grande risco desta campanha eleitoral: o lamentável apoio público e total de Pedro Passos Coelho a um candidato com a postura política de André Ventura, em Loures. Convém recordar o que eu mesmo sempre escrevi sobre a real natureza do PSD, bem como o facto da Etrema-Direita portuguesa existir, mas como que acobertada, sobretudo, no seio do PSD. Não por também não existir no CDS/PP, mas pelo facto de, neste partido, sofrer um caldeamento, mesmo que pequeno, das posições católicas, embora muito distantes das (enunciadas) por Francisco.

O PSD de Pedro Passos Coelho esqueceu que o possível pode andar longe da realidade. Sendo possível a sua neodoutrina sobre o atual êxito governativo, a verdade é que a mesma é insuscetível de demonstração, sendo a realidade a que hoje se vive e trouxe aos portugueses a saída do seu pauperizado nível de vida – foi a anterior Maioria-Governo-Presidente que o criou –, bem como uma esperança no futuro que teremos de viver. A diferença é um aboismo, sendo sempre útil ter presente o trauma causado nos portugueses pelo anterior Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.