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Então e as IPSS?

Categoria: Opinioes Publicado em segunda, 15 janeiro 2018, 17:26

A vida portuguesa recente tem permitido assistir a uma elevação sem limite das designadas IPSS, como se estas se constituam em instituições com uma extraordinária capacidade de realização de serviço aos mais carenciados. Certamente com situações deste tipo, estou hoje firmemente convencido de que tal não é o panorama geral. Infelizmente, a nossa grande comunicação social está a anos-luz de nos mostrar a verdadeira realidade que se encontra no seio de muitas destas instituições.

Ora, num destes dias recentes, um concidadão nosso residente na zona lisboeta de Benfica, já com oito décadas de vida, viu-se obrigado a abandonar a habitação onde morava desde a década de 60, após desentendimentos com o senhorio, que culminaram em tribunal e resultaram numa ordem de despejo.

Certamente com legitimidade, o senhorio quis aumentar a renda do imóvel, o que o nosso concidadão não aceitou, uma vez que apenas recebe uma pensão de pouco menos que quatrocentos euros.

Tendo o senhorio recorrido à justiça, o nosso concidadão lá foi notificado, tendo solicitado advogado oficioso à Segurança Social, que terá acabado por levar meses a responder ao pedido. Assim, o processo seguiu a sua tramitação, mas sem que o referido senhor tivesse conseguido defender-se adequadamente.

A instituição HABITA, que acabou por acompanhar este caso, tratou de contactar Paula Cristina Marques, vereadora da Habitação e Desenvolvimento Local da Câmara Municipal de Lisboa, que se prontificou a tentar arranjar a possibilidade do senhor ser hospedado numa residência de idosos, mas fora de Benfica.

Claro está que uma tal mudança, já com oito décadas de vida, comporta terríveis riscos e um grande sofrimento, dado que iria perder o contacto com amigos e ver desaparecerem as suas rotinas diárias. A verdade é que teve de deixar a casa onde viveu muitas décadas, estando agora em lugar cabalmente desconhecido.

Perante tudo isto, não deixo de questionar: onde está, então, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, as IPSS mais diversas, a Junta de Freguesia de Benfica, a Câmara Municipal de Lisboa e tantas outras instituições que por aí se movimentam, invariavelmente suportadas pelo dinheiro do Estado? Espero bem que a nossa grande comunicação social nos brinde com uma boa informação sobre o que se passou com este nosso concidadão, esquecendo um pouco a bola nossa de cada dia, ou as mil e uma inutilidades da nossa vida política.