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Entre alhos e bugalhos.

Categoria: Opinioes Publicado em quarta, 21 março 2018, 16:51

Num texto seu de ontem, na sua página de Facebook, Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD na Assembleia da República, brinca, usando a ironia, ao redor do convite feito a Pedro Passos Coelho para o exercício das funções de catedrático convidado no ISCSP, olhando-as pela lente de uma intervenção que José Sócrates irá realizar sobre o tema, O Projeto Europeu depois da Crise Económica, e que se insere na conferência, ECONOMIA HOJE, FUTURO AMANHÃ, que irá ter lugar sob os auspícios da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Sabendo-se sem razão no que escreveu, o deputado laranja acaba mesmo por deitar mão da chalaça, por via de um trocadilho sem graça nem lógica. Ao menos, em face do contexto das duas realidades que se deitou a comparar.

O convite a Pedro Passos Coelho, que é perfeitamente legal, para o exercício das funções de professor catedrático convidado viola sempre a lógica das coisas. É verdade que se trata de ensinar no domínio da Administração, domínio muito amplo e indefinido. E também, como foi já referido, tendo em conta a sua experiência de Primeiro-Ministro. Ainda assim, trata-se de algo sem grande lógica, porque só o teria se Pedro Passos Coelho fosse ministrar uma disciplina de opção, por onde se pudesse mostrar o que foi determinada experiência. E poderia mesmo ser pago com o vencimento de catedrático, mas sem esta menção, dado que é ela que deita por terra a lógica da estrutura académica que temos.

O que agora se vai passar com José Sócrates é perfeitamente normal e nada tem de ilegal nem de ilógico: no âmbito da conferência, ECONOMIA HOJE, FUTURO AMANHÃ, o antigo Primeiro-Ministro surge com a sua intervenção, O Projeto Europeu depois da Crise Económica. Tem toda a lógica, até por ter presidido, à luz da rotatividade, à União Europeia, e no tempo em que se pôs em vigor o dito Tratado de Lisboa. Além do mais, desempenhou o cargo de Primeiro-Ministro durante perto de seis anos, tendo por igual sido ministro e secretário de estado.

Nós conhecemos o que se deu com a sua governação, mas inserida, no seu final, na crise mundial. O que não sabemos é o que teria tido lugar se a liderança do Governo tivesse sido outra. De resto, mesmo com políticos da Direita, nós vimos muita coisa similar em diversos outros Estados da União Europeia, como a Grécia, a Irlanda, a Espanha e já também a Itália. Conhecemos, infelizmente, esta realidade já bem clara: Sócrates recebeu, e em cheio, os efeitos de um tempo de mudança marcado pelo desnorte oriundo de um devir imprevisível e incontrolável.

Como facilmente se percebe, são duas realidades distintas, estas que envolvem Pedro Passos Coelho e José Sócrates. Porque se se trata de transmitir os conhecimentos vividos com o exercício das funções de Primeiro-Ministro, mormente já com a presença da Tróika, o que pode justificar não proceder o ISCSP da mesma forma com José Sócrates, de molde a poderem os alunos escutar a experiência marcada pelo salto quântico político-económico-social oriundo da crise mundial surgida nos Estados Unidos, também exposto por quem foi deputado, secretário de estado, ministro e Primeiro-Ministro e viu chegar ao nosso País esse mesmo salto quântico? Que razões podem justificar um convite a um antigo Primeiro-Ministro, militante do PSD, a fim de expor a sua experiência, e não fazer o mesmo com um outro, mas militante do PS? Esta é que é a comparação lógica, ao invés de colocar emparelhados uma cátedra e uma conferência!

O que Carlos Abreu Amorim mostrou com este seu texto, surgido na sua página de Facebook, foi que continua completamente preparado para ensinar, já como académico, o Direito, mas que pode também ascender à cátedra na disciplina de ALHOS E BUGALHOS.