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Está-se a fazer luz

Categoria: Opinioes Publicado em sexta, 04 setembro 2015, 10:20

Marques MendesOntem, ou talvez anteontem, foi-nos dado ouvir mais uma opinião de Luís Marques Mendes sobre a próxima eleição para o Presidente da República. Simplesmente, vindo deste antigo líder do PSD, as suas opiniões sobre este tema são valiosíssimas, porque ajudam a fazer luz, boa parte da qual eu mesmo também ajudei a que pudesse ir sendo recebida.

Nestas suas mais recentes palavras, Luís Marques Mendes começa até por dizer o óbvio, ou seja, que o ideal seria só existir um candidato da área do PSD a concorrer às presidenciais. Simplesmente e como se sabe bem, o ideal é inimigo do bom. Talvez por isso Luís Marques Mendes se deite a opinar sobre uma hipotética segunda volta, resultado de poder surgir mais que um candidato da área do PSD. O que significa que, sendo Luís, em geral, pessoa bem informada, achará que não deverá vir a existir só um candidato do PSD na primeira volta. Ou seja, pensará – ou saberá? – que deverão concorrer Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa.

Ora, numa tal circunstância – nunca nela acreditei, mas começo a perceber que poderei ter de ponderá-la –, Marques Mendes defende que o PSD não deverá apoiar nenhum dos seus candidatos nessa primeira volta.

Resta, deste modo, o panorama na área do PS e dos partidos de esquerda. E aqui é conveniente recordar a dificuldade que todos estes partidos têm em analisar e perceber um histórico discurso de Salazar, no Porto, onde, a dado passa, diz isto: dizem por aí que a oposição governaria melhor que o regime, só que resta saber qual delas.

Trata-se de uma análise deveras realista, mostrando que já pelo final da década de cinquenta Salazar percebia a fantástica dificuldade dos partidos da esquerda do tempo conseguirem ter uma voz capazmente unida em face da realidade do Portugal do tempo. Uma realidade que continua viva, como a candidatura de Maria de Belém mostra à saciedade.

De molde que surge a questão: que irão fazer, logo na primeira volta, o PCP, o Bloco de Esquerda, o Livre, etc.? Vão escolher os seus candidatos-capelinha? Porque se assim procederem, talvez seja Maria de Belém que acabe por ir à segunda volta, circunstância em que o PSD e o CDS/PP se verão na contingência de, também aí, seguirem a proposta de Luís Marques Mendes para a primeira volta. Ou seja, haverá, então, o risco de ser Maria de Belém a ir à segunda volta e aí vencer. Seria, num razoável sentido, a continuação da intervenção presidencial de Aníbal Cavaco Silva.

Portugal e os portugueses precisam de um Presidente da República que perceba o que há dias explicou António Borges Coelho na sua entrevista, ou seja, que Portugal está a perder para a Europa, e que a tecnologia - que é fantástica – está a travar brutalmente o progresso social, porque os homens começam a ser dispensáveis e a ditadura do capital financeiro impôs-se, facto que agora ficou bem visível nestes problemas em torno da Grécia. Um Presidente da República que perceba isto, mas que atue em conformidade. Um Líder do Estado Português que consiga reconhecer o arrasamento que Mário Cláudio há dias fez à política de cultura de Rui Rio à frente da autarquia portuense. E que reconheça a razão de Hélia Correia numa sua entrevista com poucos dias: voto sempre porque nem sequer custa muito, mas tenho a perceção muito nítida de que aquilo que faço como cidadã não vai afetar em nada o que este país vai ser nos próximos tempos, portanto é quase um ritual vazio. E, por fim, o que agora veio apontar Henrique Neto: os Tribunais portugueses não funcionam e vive-se um clima de injustiça em Portugal, sendo essencial que o Governo e a Assembleia da República não desconsiderem as recomendações do Provedor de Justiça, que têm sido constantes.

As duas eleições que aí vêm vão servir muito para esclarecer a História do final da II República e da atual III República, porque irão permitir perceber se os portugueses, com tantos partidos e candidatos presidenciais à sua escolha, serão capazes de entender que se impõe mudar e sair do desastre que lhes foi criado pela atual Maioria-Governo-Presidente de direita. O tal terno de poder que Francisco Sá Carneiro dizia ser (quase) milagreiro. Já com a prova real feita, podemos agora comparar.