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Mau começo para o PLANALTO BARROSÃO. “Quem nasce torto…”

Categoria: Opinioes Publicado em segunda, 03 outubro 2016, 22:27

Era um dia de outono, mas parecia de verão, e eu estava a dar uma vista de olhos pela edição n.º 1 do novo projecto jornalístico do PS, que tem por título “Planalto Barrosão”. Com apenas oito páginas mal editadas, lê-se depressa. É também um projecto que pretende imitar a vários níveis o antigo CORREIO DO PLANALTO, do Dr. Bento da Cruz, e pretende colmatar uma lacuna do PS local que é a de não ter um bom jornal, nem de controlar no concelho a informação jornalística.

O que mais despertou a minha atenção foram as contradições insanáveis, que resultam do cruzamento de três artigos: o Estatuto Editorial, o Editorial do Diretor (Inspetor J. Dias Baptista) e o artigo do Prof. Orlando Alves, que assume igualmente o estatuto de Editorial por definir linhas de orientação do jornal.

Vamos às contradições que provam como este é um projecto mal estruturado, caótico e, como a política desastrada da Câmara, primeiro faz-se e depois pensa-se.

1.ª contradição: o Estatuto Editorial manda que o jornal seja “independente dos poderes políticos”, todavia vemos que quem escreve são os políticos da Câmara: Presidente Orlando Alves, em primeiro lugar, Presidente da Assembleia, Dr. Fernando Rodrigues, em segundo lugar. Naturalmente que, nas próximas edições, continuarão a escrever sobre política, tanto local, como nacional, apologética do PS e depreciativa do PSD.

Só que isso não tem sentido, é contraditório e projecto mal pensado. O Insp. J. Dias Baptista, se inspeccionasse bem, não devia ter permitido este tipo de artigos porque se opõe ao Estatuto Editorial. Ou então, mudava o Estatuto Editorial.

2.ª contradição: o Estatuto Editorial manda que o jornal seja “independente dos poderes políticos” e que respeite “a Lei da Imprensa, bem como os princípios éticos e deontológicos da profissão”, todavia vemos que o Editorial do Diretor J. Dias Baptista é de natureza política (nacional), é de “combate à política de Direita” e “dá cacetada” (prefiro “ripada”) ao ex-governo, revelando completamente a tendência socialista, e não devia, de acordo com as regras definidas.

Não está bem e é contraditório. O Insp. J. Dias Baptista inspeccionou mal e das duas uma: ou o Diretor não deve dar “ripeiradas” no ex-governo PSD ou, se quer dar, mude o Estatuto Editorial.

3.ª contradição: quem define a linha editorial é o Diretor, no entanto, no primeiro número do jornal, temos dois editoriais contrários entre si: um virado para a política nacional, o outro para a política local; um que revela aleivosia pelo ex-governo PSD, o outro que defende para o jornal uma linha de informação focada no concelho (“cantar” as gentes e a terra) e nas obras da Câmara socialista.

Nesse caso, é lícito perguntar: qual das duas linhas deve ser seguida e porque é que o Presidente da Câmara tem a ousadia de escrever um Editorial, quando isso não é da sua conta? Será que ele é uma espécie de “director invisível”? É contraditório e não foi bem inspeccionado. Todavia, ao Presidente não falta matéria para “cantar”. Por exemplo, podia esclarecer os leitores porque é que a Polícia Judiciária tem feito tantas visitas à Câmara de Montalegre. Será que vai rebentar lá alguma “bomba”? Dava mesmo jeito, a poucos meses das eleições!

Ao nível das interrogações, e já não das contradições, eu gostava de colocar duas questões.

Primeira: de onde vem o financiamento deste jornal se quase não tem publicidade, quase não tem assinantes e é de distribuição gratuita?! Mas como sobrevive? Quem o paga? Porque é que ao fim de dois meses ainda não foi à falência nem é esperado que caia em insolvência? “Ética” não é aquilo de que falam os editoriais, “ética” é vir a terreiro explicar o financiamento do jornal.

Segunda: um artigo de Fernando Rodrigues censurava os dois jornais do PSD por, sendo mau jornalismo, não o ajudarem a ganhar eleições. Bem, em primeiro lugar, os dois jornais não devem nada ao Sr. FR. O financiamento deles vem da publicidade, dos assinantes, e do trabalho gratuito de algumas pessoas, como os colaboradores. Isso é que é honesto.

Mas será que o jornal do PS é bom jornalismo? Será que um projecto destes vai segurar o PS no poder? Julgo que não, julgo até que é contraproducente, porque apenas serve para dar à opinião pública uma ideia de caos, de mau planeamento e de revelar as fraquezas do executivo municipal. A “pessegada” do jornal e da política da Câmara é a mesma.

MANUEL RAMOS