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O Cambalacho

Categoria: Opinioes Publicado em segunda, 06 março 2017, 21:46

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ACTA DA 1.ª REUNIÃO DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL.

PERÍODO ANTES DA ORDEM DO DIA.

(24 DE FEVEREIRO DE 2017).

 

Realizou-se no passado dia 24 de Fevereiro, às 9h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Montalegre, a primeira reunião ordinária da Assembleia Municipal, presidida por Fernando Rodrigues, tendo a seu lado, na mesa da reunião, os restantes membros: secretários e Presidente da Câmara, Orlando Alves.

Na assembleia, os deputados do PSD/CDS sentaram-se ao lado direito e os do PS ao lado esquerdo; um dos lados tinha bastante mais gente do que o outro.

Feita a chamada e de novo feita, foi lida a ordem dos trabalhos (não foi, mas devia ter sido), passando-se de seguida para a aprovação da ata da reunião anterior. A ata foi aprovada com algumas abstenções por ausência.

Chegou o período antes da ordem do dia que é aqui o único que importa. Sei que num dos pontos da ordem de trabalhos foi tratado o Prémio Literário Bento da Cruz, depois de o ter sido na reunião de Câmara. Voltarei ao assunto num próximo artigo por não concordar.

As duas primeiras intervenções, uma de cada cor partidária, foram um desastre. Bem, também estávamos no início dos trabalhos, a manhã estava fria e algum pessoal ensonado. Começou o deputado Dr. Acácio Gonçalves (CDS/PSD)… a quem o Presidente cortou a palavra no 12.º minuto, alegando que só tinha 10 minutos para falar. Ainda que tivesse sido essa a razão invocada, a verdadeira razão é outra: o Sr. Acácio ia abordar negativamente a provedoria da Misericórdia, de que o Presidente da Assembleia é Provedor.

Seguiu-se o Prof. João Soares (PS), outro desastre pelas seguintes razões: (1) chamou à colação a figura de Bento da Cruz e falou dele não como escritor mas como político do PS, sabendo que a abordagem é fracturante e mais ainda numa Assembleia Municipal. Além disso, a família do escritor (como me confessou) não gosta que o escritor seja tratado dessa forma. (2) Falou da Borralha como lugar turístico e que atraiu muitas centenas de visitantes só até meados de fevereiro, não contando os muitos milhares no restante concelho, mas o Dr. Pedro Barroso, veterinário, topou a falsidade do discurso e muito educadamente disse-lhe quando chegou a sua vez de intervir: sou veterinário e conheço a dificuldade que os agricultores têm em vender os vitelos. Se há assim tanto turismo porque é que a carne dos vitelos não é consumida localmente? O que é que comem os turistas quando visitam Montalegre?

Mas eu, Manuel Ramos, continuo a inquirir e viro-me para Fernando Rodrigues que disse na reunião que a Câmara estava a fazer todos os esforços para que o hotel de Montalegre, em grandes dificuldades financeiras, não encerrasse portas. Por isso pergunto: Sr. Presidente, se há assim tanto turismo, porque é que o principal hotel da região está em graves dificuldades financeiras? Onde dormem os turistas que visitam o coração da região?

Obviamente que ambos foram apanhados em mentira.

Fátima Crespo (PS) agradeceu a solidariedade que recebeu de muitos colegas. Na anterior reunião, desmaiou e tombou no chão, mas a solidariedade e até a visita dos colegas fez esquecer a amargura da queda. Este assunto parece irrelevante numa ata, mas não é e eu quero referi-lo. Não sou supersticioso, mas parece-me que esta queda é de grande simbolismo: ela prenuncia a cambalhota do PS nas próximas eleições; e o facto de ter caído para o lado direito tem muito que se lhe diga.

Seguiu-se a intervenção de Ricardo Moura (PS). Tendo em conta as últimas edições do “Notícias de Barroso”, desafiou-me para um debate de carácter político na Rádio Montalegre. Eu respondo-lhe com brevidade: Sr. Ricardo Moura, não me desafie para lugares indecentes. O Sr. leu o artigo de Bento Monteiro que abordava o caso do “jipe do povo” ou quer que eu lhe conte de novo a história escandalosa?

A intervenção de Pedro Barroso teve muita qualidade. Além daquilo que já foi referido (topou a falsidade do discurso do Prof. João Soares), acusou o Presidente Orlando Alves de ter dado uma entrevista ao “Correio do Minho”, a qual contém variadas imprecisões: (1) acusa os emigrantes de não investirem empresarialmente na sua terra; (2) o Presidente foi para o jornal gabar-se, o que não lhe fica bem. Gabar-se porque a um ano das eleições já cumpriu o programa político a que se propôs (e que bem o cumpriu!) e agora não tem nada para fazer porque o que fez foi bem feito e muito a tempo. (3) Também lhe perguntou quanto custou a entrevista ao erário público, mas não obteve resposta. A única resposta que obteve foi dizer que Pedro Barroso, nas críticas que lhe fez, se inspirou em alguém. Estava obviamente a referir-se ao brilhante artigo do Doutor Barroso da Fonte, seu tio, na anterior edição, e que parece ter deixado desgostoso o Prof. Orlando.

Apesar da boa prestação de Pedro Barroso, valia a pena ter questionado o Presidente do seguinte: Sr. Presidente, o senhor diz nessa entrevista que é o candidato do PS à Câmara de Montalegre, mas olhe que eu acho que não é! É verdade que a Comissão Política do PS disse que o Sr. era o candidato, mas isso foi para não pôr o partido em polvorosa; no momento oportuno vão-lhe tirar o tapete; todos as semanas os conspiradores reúnem… “andam a fazer-lhe o ninho atrás da orelha”.

E agora viro-me de novo para o Presidente Fernando Rodrigues e pergunto: Sr. Presidente, se a Câmara quer que os emigrantes venham investir na sua terra, porque é que o senhor vai investir em Moçambique? (OBS: O seu a seu dono. Esta pergunta já foi feita anteriormente por Bento Monteiro).

A intervenção do Dr. Marco Sousa era aguardada porque ela tinha prometido levar à assembleia o caso do painel LED junto ao multiusos (ver foto em anexo). O Marco começou por ler parte do meu artigo publicado na edição anterior, que foi feito tendo por base a investigação que eu fiz do LED, cruzando variado tipo de informação: uns na base AJUSTE DIRETO, outros nas Finanças do Porto, outros junto da empresa NetScreen, fazendo-me passar por um comprador de Chaves. Depois perguntou como é que alguém que tem como actividade principal a venda de tapetes e carpetes e como CAE secundário o comércio de roupa pode vender um LED à Câmara. Comparou isso à pessoa que vai a um restaurante comer uma refeição completa e na fatura vem discriminado: Entradas: um tapete (5 euros); Prato principal: uma carpete (15 euros)…

O Sr. Paulo Barroso, ali presente, sentiu necessidade de intervir porque foi citado o seu nome e fê-lo brevemente e a tremer. Meteu pena. Lançou um argumento que achou poderoso: eu tenho 5 empresas e não vendo apenas tapetes e roupa, no entanto não disse qual a área de actividade das restantes três empresas. A resposta do Marco, na segunda intervenção, deixou-o sem resposta: o Sr. tem cinco empresas, mas o LED foi facturado com produto têxtil e é isso que está em jogo e é isso que importa para o caso.

Seguiu-se a resposta violenta do Presidente da Assembleia FR contra o PSD nacional e local, vendo num a imagem do outro. Os olhos rolavam-lhe nas órbitras e o canto da boca destilava espuma. Também desfiou contra o PSD local um rosário de chorrilhos, também acusou o PSD local de estar a mentir no caso LED, mas não disse de que forma mente. O seu discurso mereceu o reparo atinado de Domingos Vasconcelos (PSD): o senhor não é líder de bancada do PS, mas Presidente da Assembleia; o senhor não é árbitro, como lhe competia, mas jogador.

Sobre o LED, o Presidente Orlando apenas disse que o contrato de aquisição foi bem feito e que o vendedor Paulo Barroso lhe dá todas as garantias de que a Câmara precisa, no entanto o PSD não sabe como isso é possível se um LED não é um tapete.

No fundo passou-se isto com o LED: quando a Câmara de Montalegre quis adquirir o LED não recorreu aos serviços diretos da NetScreen, que era a forma mais barata de o adquirir e é assim que faz toda a gente a quem o dinheiro custa a ganhar. Ficar-lhe-ia em “aproximadamente 25 mil chave na mão”. O Sr. Marcos, um dos sócios, deu-me a entender que podia haver um pequeno desconto. Disseram-me ainda que o produto é topo de gama; a garantia é de 5 anos; a empresa é portuguesa e é a única que os fabrica na Península; o consumo é dos mais baixos e, em caso de assistência, prometem resolver o problema em 24 horas. No entanto, no momento da compra, a CMM optou por meter no negócio o Sr. Paulo Jorge Dias Barroso, membro da Assembleia pelo PS e ex-presidente da junta socialista de Tourém, em quem ninguém conhece actividade na área. Vendeu-o à Câmara por 28.500 euros como consta da fatura que é pública. Mas, mesmo que tivesse actividade na área, a sua intermediação no negócio não era necessária porque a empresa vende o seu produto “chave na mão” e essa é a forma mais barata de o adquirir e é esse o meio privilegiado. 

Nada mais havendo a declarar, deu-se por encerrada a sessão…

MANUEL RAMOS