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O ETERNO POTE DOS SABORES

Categoria: Opinioes Publicado em sábado, 04 junho 2016, 18:06

Ninguém que disponha de um ínfimo de boa-fé poderá desconhecer o grande objetivo central de sempre do PSD, já desde a Revolução de 25 de Abril: organizar a vida do Estado em termos típicos do liberalismo. Neste sentido, tudo é claro nesta mais recente proposta política de diálogo do PSD: destruir a Segurança Social Pública, que é o que desde sempre a Direita pretendeu.

 

Nesta recente proposta do PSD de Pedro Passos Coelho, como se compreende de um modo elementar, este não iria nunca dizer que se impõe cortar seiscentos milhões de euros nas pensões. Portanto o que fez Pedro Passos Coelho? Pois, propôs criar uma COMISSÃO EVENTUAL PARA PROMOVER UMA REFORMA ESTRUTURAL DO SISTEMA PÚBLICO DE SEGURANÇA SOCIAL. Ou seja, o tudo em nada.

Nestas circunstâncias, o PS lá irá cair no canto da sereia azul-alaranjado. Basta olhar a inacreditável resposta de Ana Catarina Mendes: a única proposta que o País conhece de Pedro Passos Coelho é um corte de seiscentos milhões de euros nas pensões e para essa o PS estará contra. Só que nunca poderia ser essa a proposta de Pedro Passos Coelho, antes a atrás referida, que permitirá uma cedência do PS, mas sem se explicitar a tal perda dos seiscentos milhões nas pensões.

Acho muitíssimo estranho que José Vieira da Silva, ministro que sobraça este domínio, não fale claro e exponha a real situação em que se encontra o atual modelo de Segurança Social Pública. Na última referência que lhe ouvi, referiu que o modelo aguentará até perto de 2060. E tudo isto de parceria com o desafio nunca respondido feito por António Bagão Félix na SIC Notícias, ainda com Ana Lourenço: a Segurança Social é aguentável, só que uma mentira repetida à saciedade pode vir a ser tomada como uma verdade. E por igual o fez a académica Raquel Varela e desde há muito.

Espero agora que o Bloco de Esquerda, o PCP e Os Verdes se mostrem claros nesta matéria, até porque têm a obrigação de dispor de informação sobre o tema. Mas também, os sindicatos e a estrutura dos reformados. Todos têm a obrigação de defender os mais velhos e os seus direitos, conseguidos através da aplicação de legislação unilateral do Estado. Porque se este tem o dever de cumprir a sua palavra com os credores estrangeiros, tem-no por igual com os portugueses. Vamos ver aonde nos irá conduzir o PS.