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O grupo de BILDERBERGER

Categoria: Opinioes Publicado em terça, 08 março 2016, 13:16

Durão BarrosoOs textos sobre o Grupo de Bilderberg são em número amplo. Um conjunto que se espraia por décadas e sempre no mesmo sentido. E, não oferecendo dúvidas a existência do referido grupo, a verdade é que o tema está longe de ser o mais badalado nos domínios abarcados pela literatura sobre o secreto, ou sobre as grandes negociatas económicas e financeiras. Basta recordar, por exemplo, as obras de Dan Brown, Eric Frattini, José Rodrigues dos Santos ou Luís Miguel Rocha, este, infelizmente, já fora da nossa companhia.

 

Mesmo os textos contestadores do rumo económico do mundo, como os de Santiago Becerra, Joseph Stieglitz, Paul Ktrugman, Francisco Louçã, Antonio Baños Boncompain e muitos outros, raramente abordam o papel do tal Grupo de Bilderberg. É um tema que, no domínio das publicações, fica a anos-luz dos casos da CIA ou do KGB, por exemplo. Deixo ao leitor o encargo de lucubrar sobre as razões desta discrepância, embora possa vir eu a escrever um pouco sobre tal realidade, mas numa outra ocasião.

O que é verdade é que o Grupo de Bilderberg existe mesmo. E reúne sempre concidadãos do mundo ligados às áreas do poder, da economia e da finança. Havendo domínios muito mais fundamentais – religioso, político, cultural, etc. –, não deixa de ser razoável admitir que a razão de ser do grupo se liga, primacialmente, ao primeiro grupo de temas: poder, economia e finanças.

Como já se percebeu agora, a democracia está hoje reduzida a nada. Tem apenas que tentar manter-se, dada que a sua existência confere uma aparência de legitimidade ao exercício do poder: muita gente, fruto do clubismo gerado nas eleições, continua a acreditar que o voto dá garantias na escolha política. Ora, os argumentos usados para justificar tudo quanto a tem vindo a reduzir a nada são sempre de caráter económico e financeiro, potenciados hoje pelo fenómeno da globalização.

Acontece que esta se tem consolidado ao redor da ideia da livre circulação de capitais, mas não de pessoas. Àqueles e às operações que os envolvem justifica-se a naturalidade de baixar os custos de produção, ligados, entre outros fatores, à minimização do emprego e à baixa salarial. E o que se vai podendo ver é que a classe política, supostamente eleita por via democrática, é quem aplica tais regras, em vez de defender as condições essenciais a uma vida digna.

Por outro lado, ninguém assume a iniciativa de pedir um fim internacional para os paraísos fiscais, nem o de chamar a atenção para as consequências do crescimento da automação e da robótica. A própria grande comunicação social, em boa medida já hoje dominada pelos grandes interesses económicos e financeiros, também nunca aborda estas perigosas realidades. Apesar das mesmas mostrarem um movimento acelerado.

Um dado é certo: o presente caminho terá de terminar numa ditadura mundial. E é aqui que se inscreve a guerra religiosa dos nossos dias, dado que o funcionamento das sociedades tem sempre de suportar-se num aconchego de esperança que só pode situar-se para lá da razão. Portanto, a tal ditadura hoje em construção só pode revestir duas formas: ou meramente económica, o que conduzirá a uma guerra em larga escala; ou de suporte religioso último, que permitirá recriar uma fantasia de esperança.

Pois, o Grupo de Bilderberg inscreve-se, no momento que passa, no primeiro estádio, embora tenha já no seu seio um bom grupo de personalidades ligadas ao ambiente económico e financeiro católico. E também outros, de raiz protestante. Também judeus e, porventura, um ou outro do ambiente islâmico. E só um tolo poderia imaginar que tais encontros se destinam a operar meros bate-papos.

Por fim, esta evidência: quem faz parte do Grupo de Bilderberg, naturalmente, nunca poderá dizer que o seu objetivo é o de há muito percebido. Invariavelmente, far-se-á de parvo, assim como se nunca se tivesse apercebido do que quer que seja. O problema é que a explicação desta realidade faz-se por si mesma, porque tudo está à vista. É, no fundo, aquela realidade referida por Russell Ackof: conhecemos as respostas, todas as respostas, o que desconhecemos são as questões.