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O piropo já é crime, na lei

Categoria: Opinioes Publicado em quinta, 31 dezembro 2015, 00:38

PiropoO fervor repressivo contra o “Crime de importunação sexual” parece mais uma cruzada contra a má-criação do que a medida dissuasora da violência contra as mulheres, numa sociedade cuja herança misógina assenta nos livros santos herdados da Idade do Bronze.

Assusta-me a promíscua unanimidade da Assembleia da República, a beata harmonia de 7 (sete) partidos com representação parlamentar, a lembrar o júbilo saloio que conduziu Amália e Eusébio ao Panteão.

Não vislumbro na repressão do piropo o mais leve benefício para a educação cívica ou a mínima eficácia na redução de atos de boçalidade, mas temo as cruzadas moralizadoras, hoje contra o piropo, amanhã contra o beijo, depois para o simples olhar.

A sanha persecutória, à semelhança do que se passa nos EUA, é mais uma arma para a destruição de adversários políticos do que para a defesa dos mais fracos (mulheres?) e a redução do número de vítimas.

Se começamos a tolerar todas as medidas repressivas, é a liberdade que hipotecamos, é a submissão a fantasmas refletidos na lei, o abrir de portas a novas inquisições.

Prefiro ficar sozinho na desconfiança a participar na euforia coletiva da fúria repressiva.