topo1.jpg

O pretenso Estado Soberano.

Categoria: Opinioes Publicado em terça, 30 junho 2015, 12:57

GréciaNum golpe de rins, e sem que nada o fizesse prever, o Primeiro-Ministro Grego, Alexis Tsipras, deu a volta aos eurocratas, solicitando que fosse o povo grego, através de referendo, que se pronunciasse sobre o rumo a seguir. É que, claramente, Tsipras não estava em condições de aceitar as exigências que lhe eram feitas porque, durante a campanha eleitoral que o tornou líder do governo Grego, sempre defendeu o contrário daquilo que a Comissão Europeia lhe queria impor.

Oh infâmia das infâmias: onde é que já se viu, ser o Povo a decidir sobre o rumo que pretende dar ao seu próprio País. Nem pensar, afirmam os Eurocratas, pretensos donos da razão: quem manda somos nós. Nós é que sabemos o que é bom para todos os outros. Aliás, não fomos nós que provocamos isto tudo? Sim! Destruímos primeiro, para recuperar, a nossa maneira claro está, depois. Nós é que somos os visionários! Não se lembram que foi o nosso anterior presidente, Durão Barroso, acompanhado pelo Blair, Aznar e companhia que descobriu as armas de destruição maciça no Iraque?

Foi desta forma que os ministros das Finanças dos países da Zona Euro puseram de parte, no sábado, uma curta extensão do programa de resgaste financeiro da Grécia, agindo em retaliação contra a convocação de um referendo, por parte do Governo de Atenas, acerca das condições impostas pelos credores, numa clara e gratuita demonstração de força.

É verdade que o governo de Alexis Tsipras não está isento de culpas, mas não é menos verdade que os Eurocratas fogem do exercício da soberania popular como o diabo da cruz. Por que será? Por que têm eles medo do Povo?

Os burocratas da Zona Euro, de braço dado com os omnipresentes e omnipotentes mercados, quiseram deixar claro que, do seu ponto de vista, os povos não podem ser chamados a pronunciar-se sobre coisa nenhuma. Quem manda são eles, o resto é conversa.

Do referendo Grego, até pode sair um «sim» às condições fixadas pela troica, mas para os pequenos líderes europeus que atualmente nos (des)governam é inaceitável a aceitação dos gregos resulte da consulta popular. Tudo tem de girar de acordo com a sua vontade e no momento que eles desejam.

O que os eurocratas temem é o precedente: não foi assim com a adesão de Portugal (tal como a maioria dos Países) ao Euro?