imagem_aoutravoz_jpg.jpg

TEMAS ESQUECIDOS.

Categoria: Opinioes Publicado em terça, 18 abril 2017, 10:10

Portugal é, indubitavelmente, um país fortemente caraterizado por esquecer temas importantes. Ou por deixar que morram – digamos assim – como que de morte natural, sem que ninguém se preocupe em resolver as coisas a tempo e horas e com afinco na procura da solução em causa. Vejamos uma meia dúzia destes casos.

Desde logo, o caso do nosso concidadão Adelino Vera-Cruz Pinto, que, num mundo que se tornou pequeno, parece desafiar as mil e uma autoridades judiciárias do mesmo, sem conseguir ser encontrado e presente a juízo, se for esse o caso e qualquer que venha a ser o resultado final de uma investigação que se iniciou, mas parece ir morrer como há pouco se deu com o caso que envolveu Manuel Dias Loureiro e José Oliveira Costa. Estamos à espera de resultados.

Logo depois, esse outro caso que envolveu o vice-reitor do Seminário do Fundão, condenado já a dez anos de prisão em primeira instância, e creio, por igual, que também num tribunal superior. A verdade é que passam os dias, as semanas, mesmo os anos, e nada mais se soube deste caso. Também aqui estamos à espera de resultados.

Na posição seguinte, os casos de Domingos Duarte Lima e de, por exemplo, Arlindo Carvalho, dois concidadãos nossos a braços com a justiça, mas sobre cujos casos caiu um manto de silêncio. Até na grande comunicação social nunca mais estes casos voltaram a ser referidos, o que, haverá de convir-se, não deixa de ser estranho. Mais dois casos de que estamos à espera de resultados.

Mais recentemente, o caso da agressão que pôde ver-se ao árbitro que dirigiu um jogo de futebol em que participava a equipa do Canelas. E não deixa de ser surpreendente que ainda não existam resultados sobre um tal acontecimento, dada a sua gravidade e em face de se possuir, qual ouro sobre azul, aquela gravação fílmica, bem como as palavras de quantos, tendo ali estado, se pronunciaram já sobre o que se passou. De novo, estamos à espera de resultados.

Ainda mais próximo de nós no tempo, esse cântico de uma claque portuense sobre o desejo para com a equipa do Benfica, manifestando o seu lamento por lhe não ter sucedido o mesmo que aos atletas, técnicos e dirigentes do Chapecoense. A verdade é que o tempo continuou a passar e nada mais se soube deste autêntico incitamento ao ódio, materializado num lamento por não terem tido lugar mortes no Benfica! Cá estamos à espera de resultados.

Por fim – a lista real é incomensuravelmente maior –, aí nos surgiu, neste fim-de-semana, um lembrete ao redor dos esclarecimentos que se garantiu irem ser dados ao redor dos dez mil milhões para offshore. Com grande oportunidade, Luís Marques Mendes interrogou-se ontem sobre se não iria ser o referido caso arquivado... Estamos, embora sem um ínfimo de esperança, à espera de resultados.

Aqui está um bom conjunto que deita por terra a explicação dada pela Ministra da Justiça num qualquer colóquio recente, onde se socorreu de percentagens de casos resolvidos. O problema, como pude já escrever, é que os atrasos situam-se, precisamente, em muitos dos mais graves casos. Mas, enfim, cá ficamos à espera dos resultados. Pelo meu lado, com quase nula esperança.