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TUDO É AGORA CLARO.

Categoria: Opinioes Publicado em sexta, 29 setembro 2017, 19:46

A presença de Pedro Santos Guerreiro no noticiário da SIC de ontem veio tornar o caso do dito relatório de Tancos muitíssimo claro. Tudo passou agora a ser claro, depois de ali mostrar o tal conjunto de papeis – o dito relatório –, com um total de sessenta e três páginas. O problema, que Pedro também acabou por explicar, é que aquele dito relatório nada representa.

O diretor do Expresso explicou que o dito relatório não é um documento oficial. Ou antes, o documento oficial. E referiu que os relatórios oficiais das Forças Armadas são sempre muito secos, curtos, procurando ser concisos. Significa isto, portanto, que o tal dito relatório não é o relatório oficial. De facto, no plano oficial, não existe relatório algum. O que existe é o que alguns quisseram colocar num qualquer conjunto de papeis. De resto, mesmo o conteúdo apontado é revelador de uma intenção político-partidária, e constitui-se, por isso, numa intervenção política.

Na próxima edição desta sexta-feira que vem, segundo Pedro contou, irá surgir mais informação, só que completamente inútil, dado que nada do que uma meia dúzia possa dizer, ou escrever, motivados por causas político-partidárias, tem um ínfimo valor. O que irá ser dito será a realidade: oficialmente, nada existe. E, de facto, não existe mesmo.

Infelizmente, nem o Expresso nem Miguel Sousa Tavares, nos expuseram, até agora, o que foi que se passou com aquela outra notícia, que envolvia a queda de um avião de combate a incêndios, nem nunca barafustaram com a notícia dos suicídios, ou tentativas para conseguir tal. O contrário, pois, do que se deu, por exemplo, com o caso de Carlos Borrego, ao tempo da governação de Aníbal Cavaco Silva.

Quem já trabalha no Estado, ou no setor privado, sabe muitíssimo bem que a linguagem que figura no tal dito relatório nunca se usa. Basta olhar, por exemplo, para o que teve lugar com o caso do Colégio Militar, com o caso dos comandos, com o caso Angoshe, com o de Wiriamu, etc.. A  linguagem deste dito relatório é claramente desbragada, tendo como objetivo o que já se havia tentado com a dita deposição das espadas frontalmente ao Palácio de Belém, de que se veio a saber que só contaria com três oficiais, tendo terminado, naturalmente, em nada: pôr em causa o Ministro da Defesa Nacional e, por aqui, o Governo.

Enfim, foi excelente a presença de Pedro Santos Guerreiro no noticiário da SIC, porque a mesma mostrou que, de facto, se trata de um “relatório”, mas que não é um documento oficial. Como seria de esperar, os autores deste dito relatório não podem ser revelados, como nada pode ser revelado desde que conduza aos supostos autores do dito relatório. Ou seja, este dito relatório, de facto, não existe.

Por fim, o quão interessante foi o tempo de intervenção das associações de militares, que vão já numa de crítica ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. E, de facto, também este acabou por reconhecer a realidade absolutamente consabida: se o Chefe do Estado-Maior-General e as secretas lhe salientam nada existir, bom, é porque o que serve de base à notícia do Expresso vale…nada. E é tudo.