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UMA CHATICE DOS DIABOS...

Categoria: Opinioes Publicado em terça, 16 maio 2017, 11:21

A recente vitória de Donald Trump na corrida à Casa Branca, bem como tudo o que foi tendo lugar ao longo da campanha eleitoral anterior, veio mostrar a fantástica impostura em que se constitui a designada democracia norte-americana. Em bom rigor, uma autêntica plutocracia, onde manda o dinheiro e o sistema desde há muito montado por célebres famílias. Um sistema que se foi sempre fortalecendo através da guerra, levada pelos Estados Unidos às sete partidas do mundo.

Claro está que isto foi sempre conhecido, mas esta vitória recente de Donald Trump fez vir à superfície, já de um modo claro e inquestionável, a realidade que subjaz e faz funcionar a sociedade norte-americana. Objetivamente, os mais atentos certamente já acharão graça a esta desgraça a que os Estados Unidos e o mundo foram levados pela ganância da sua plutocracia.

Como pude já escrever, o fim do movimento comunista no mundo relançou dois velhos temas, um bem mais antigo que o outro: por um lado, a possibilidade de os Estados Unidos poderem vir a dominar o controlo mundial do Planeta e, por outro, o regresso da fenomenologia religiosa. O que significa que se desenvolvem hoje duas corridas no mundo: a da sua dominância do controlo político-económica e a da supremacia religiosa de uma das religiões hoje existentes. Penso ser hoje muito difícil não se ter já dado conta de tais evidentíssimas realidades.

O triunfo neoliberal e a globalização, para lá de minimizarem o valor da democracia, geraram, por quase toda a parte, o surgimento de uma nomenklatura – a nomenklatura neoliberal global – que criou os seus fantásticos interesses, desenvolvidos, como seria de esperar, completamente à revelia dos naturais direitos e necessidades dos diversos povos do mundo.

Uma tal situação acabou por materializar-se numa sociedade cada dia mais desregulamentada, ao mesmo tempo que se avolumou o abismo social entre os detentores de riqueza e os pobres. Isto gerou, naturalmente, a desvalorização da democracia, atirando as populações, na sua aflição perante uma tal ditadura financeira, para as mãos de políticos populistas, mas também para a procura do religioso, apesar de ambos, de facto, nada resolverem no plano concreto das graves dificuldades dos povos do mundo atual.

Ao mesmo tempo, e porque se geraram sociedades com grande liberdade de informar, os povos mais atentos acabaram por tomar conhecimento de realidades de há muito conhecidas, mas raramente faladas. De resto, já hoje se pode assistir, de algum modo, a um clima de autocensura na grande comunicação social, muito em especial na televisiva. E foi com grande satisfação que, num dia destes, no seu programa semanal na RTP 3, enaltecendo as qualidades de Armando Baptista-Bastos, João Adelino Faria o apontou como um jornalista sem medo, que estava desiludido com muito do jornalismo que hoje se faz com muito medo. Uma fortíssima verdade, que se pôde constatar com alguns jornalistas que fogem a referir que o tal vírus informático que por aí anda teve a sua proveniência inicial na Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos… E muito menos tiveram a coragem de expor as declarações de ontem, a este respeito, de Vladimir Putin. Pelo contrário: há quem vá para a televisão pôr a hipótese de ter o tal vírus sido proveniente da...Coreia do Norte! Bom, caro leitor, é caso para que se grite: éu quér’ápludirr!!

Por tudo isto, foi-se impondo, desde o início, em face da vitória de Donald Trump, criar as condições essenciais ao seu derrube da presidência dos Estados Unidos. O FBI, bem como a generalidade da comunidade de informações, tudo vem fazendo com tal objetivo, mormente através do fornecimento à comunicação social de reais ou inventadas práticas de Donald Trump, ou de supostas situações de risco internacional, supostamente ligadas à segurança nacional do país.

Ora, esta é a atual situação: Trump, supostamente, terá revelado informações secretas à Rússia de Vladimir Putin. Mas que tipo de informações? Bom, dizem-nos que ao redor do Estado Islâmico, mas em condições que, supostamente, colocarão em causa gente que, no terreno, trabalha para a segurança norte-americana. E dizem mesmo mais: algumas dessas informações nem sequer seriam do conhecimento dos aliados dos Estados Unidos.

Acontece que quem tiver um mínimo de conhecimento desta temática perceberá uma realidade e terá já deduzido (e de há muito!) uma outra. Por um lado, rarissimamente existem provas materiais do que quer que seja em matéria de serviços secretos, apenas informações e deduções. Por outro, os Estados Unidos foram os verdadeiros apoiantes do Estado Islâmico, tal como já haviam estado na base do que levou ao surgimento da Al Qaeda. É sempre bom recordar certo senador que, há perto de uns três anos, instado sobre a capacidade de os Estados Unidos porem um fim no Estado Islâmico, respondeu que tal seria muito difícil, porque aquele havia sido criado pelos segundos.

É esta realidade que terá levado Barack Obama a pedir a Donald Trump, no primeiro encontro que tiveram na Casa Branca, que não mandasse averiguar o caso dos e-mails enviados por Hillary Clinton a partir do seu servidor pessoal, o que também teve lugar com uma sua assessora e com o marido desta. Portanto, se te se teme, é, muito provavelmente, porque se deve...

Como por igual pude já escrever, esta metodologia de Hillary Clinton tinha como finalidade evitar deixar uma qualquer pegada nas mãos da Administração dos Estados Unidos. Ora, é muito possível que a Rússia tivesse tomado conhecimento de tal realidade e fornecesse a gente da oposição a Obama e a Hillary as essencialíssimas informações.

Por outro lado, a Administração dos Estados Unidos está hoje repleta dos boys e das girls ali deixadas por Barack Obama e Hillary Clinton. E, para lá disto, vive-se um tempo de guerra mundial a níveis diversos, sendo um deles o religioso e com consequências estratégicas importantes. Realidades a que se junta o modo cabalmente bronco de ser de Donald Trump. Objetivamente, Donald Trump tem a loucura suficiente para enfrentar os poderosos da plutocracia norte-americana que comandam a vida política do país, mas tem falta de cultura e de jeito para realizar uma tarefa que exigiria lentidão e muitas cautelas. Isto porque nada do que se passa nos Estados Unidos tem que ver com o funcionamento de um Estado de Direito Democrático. Aliás, foi sempre assim.

Por fim, a próxima visita a Itália, circunstância em que também se encontrará com o Papa Francisco. O que me permite colocar esta questão: depois de Francisco ter afirmado que nunca se pronuncia sobre alguém sem conhecimento pessoal direto, o que irá dizer depois do seu encontro com Trump? Será que a impressão que nos vier a contar acabará por ajudar a derrubar Donald Trump?...