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Fernanda Câncio escreve no DN que Sócrates "mentiu, mentiu e tornou a mentir".

Categoria: País Publicado em segunda, 07 maio 2018, 15:25

José Sócrates foi secretário-geral do PS, primeiro-ministro de Portugal e, mais recentemente, arguido no caso Operação Marquês, acusado de 31 crimes. Num artigo de opinião publicado no Diário de Notícias, Fernanda Câncio, jornalista e antiga namorada do ex-primeiro-ministro, diz que Sócrates "instrumentalizou os melhores sentimentos dos seus próximos". E garante: "Mentiu, mentiu e tornou a mentir".

"Vamos tentar uma coisa muito difícil: vamos esquecer que José Sócrates está acusado de uma série de crimes particularmente graves", começou por dizer Fernanda Câncio. "Assentemos apenas em que, depois de ter sido primeiro-ministro sete anos e estabelecido residência em Paris durante algum tempo, de serem levantadas dúvidas sobre como conseguia sustentar-se e de o próprio assegurar denodada e indignadamente que o fazia graças a um empréstimo bancário e à ajuda da mãe, se soube que afinal as suas despesas eram suportadas por um amigo empresário". "Um ex-primeiro-ministro que tratava como insulto qualquer pergunta ou dúvida sobre a proveniência dos fundos que lhe permitiam viver desafogadamente; (…) que ostentou, na saída do governo, a rejeição da subvenção vitalícia a que tinha direito por ser deputado eleito desde 1987 (e que agora está a receber), não teve afinal, (…) outros meios de subsistência senão o dinheiro do amigo (à generosidade do qual terá continuado a apelar mesmo quando auferia um ordenado de mais de 12 mil euros brutos por mês)", criticou a antiga namorada do ex-primeiro-ministro. Câncio garante que Sócrates "fingiu ante toda a gente que tinha fortuna de família, rejeitando até rendimentos a que tinha direito como alguém que deles não necessitava" e que "mentiu, mentiu e tornou a mentir". "Mentiu ao país, ao seu partido, aos correligionários, aos camaradas, aos amigos. E mentiu tanto e tão bem que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse, em privado e em público, como alguém que consideravam perseguido e alvo de campanhas de notícias falsas, boatos e assassinato de carácter", prosseguiu a jornalista. Para Câncio, o comportamento do antigo primeiro-ministro "chegaria para clarificar a absoluta ausência de respeito pela verdade, pelas pessoas".