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Ponto de partida

Categoria: Região
Publicado em quinta, 24 abril 2014, 17:30

castelo montalegre neveFaz hoje exatamente 40 anos que enormes manifestações de alegria percorreram o País. Depois de 48 anos de ditadura e repressão, a sociedade portuguesa podia, finalmente, exprimir-se em toda a sua diversidade mas, também, com toda a sua fragilidade, no complexo trama do seu flagrante atraso económico, das suas profundas desigualdades sociais e carências culturais. Estas circunstâncias irão provocar o arrastamento do processo de implantação da democracia em Portugal, num percurso marcado pela confrontação permanente entre projetos políticos de sinais opostos.
Desiludidos com as promessas de democracia que Marcelo Caetano tardava em fazer sair do papel, e falhada que foi uma primeira tentativa de derrube do regime a 16 de março, a madrugada com que todo o País sonhava, chegou a 25 de abril de 1974, pondo fim a quase meio século de ditadura, sem violência e sem derrame de sangue, tornando-se um case study para o mundo.
Hoje, nasce A Outra Voz. E o que é este projeto?
A Outra Voz é um projeto desenvolvido por um grupo de amigos a trabalhar no Concelho de Montalegre, que mais não pretende do que contribuir para o desenvolvimento sustentado do País, concentrando-se, essencialmente, na Região de Trás-os-Montes e muito particularmente no Território de Barroso.
A Outra Voz será um espaço de debate, sério e abrangente, aberto a tudo e a todos aqueles que tenham algo a acrescentar em favor da sociedade. Será um espaço de troca de ideias e projeção da vasta região em que nos encontramos inseridos, procurando levar “aos quatro cantos do mundo” tudo o que aqui se passa.
A Outra Voz procurará focar os principais problemas e temas que afetam os jovens, os reformados, os desempregados e a população ativa. Será um espaço que privilegiará a política, a cultura, o desporto e a sociedade.
A Outra Voz terá um jornal semanal online e uma página na internet, em constante atualização.
A Outra Voz não pretende ocupar o espaço, há muito conquistado, por outros projetos. Antes pelo contrário, tudo fará para os ajudar a crescer.
A Outra Voz escolheu o dia 25 de abril para se apresentar ao mundo, quer como forma de venerar os quarenta anos da conquista da liberdade, quer na procura de dar voz e esperança a todos os cidadãos empenhados em lutar por uma sociedade melhor.
Um apelo: juntem-se a nós! Divulguem esta ideia. Juntos poderemos construir uma sociedade melhor.

Padre Fontes, a voz autorizada de todo o Barroso

Categoria: Região
Publicado em quinta, 24 abril 2014, 17:26

fontesAntónio Lourenço Fontes nasceu em Cambeses, Montalegre, há 74 anos, tendo sido ordenado padre em 1963 e colocado em vilar de Perdizes em setembro de 1971.
Para o mundo é conhecido, simplesmente, por Padre Fontes sendo, sem qualquer margem para dúvidas, a figura de Barroso mais marcante, prestigiada e conhecida. Poderemos mesmo dizer que foi a personalidade que mais contribuiu para pôr Montalegre no Mapa. O Congresso de Medicina Popular ou a sexta-feira 13 são apenas dois exemplos da sua vasta obra.
Em resposta ao nosso pedido de entrevista, que de imediato acedeu, congratulou-se com a data escolhida para o nascimento deste projeto saindo-se com uma tirada que o define: “sempre dei voz a outras vozes, mesmo as ditas do além”.
P.  Como nasceu a ideia de organizar o Congresso de Medicina Popular?
R. Para alertar povo, a igreja e a classe medica dos valores tradicionais válidos e a preservar bem como dos menos válidos.
P.  É sabido que o meritíssimo Bispo de Vila Real foi um feroz opositor à sua presença na organização do Congresso. Como foi a relação entre o Bispo, a Igreja de Vilar de Perdizes e o Padre Fontes nos anos seguintes?
R. Foi de tolerância, silêncio e alguma abertura.
P. Ao longo de todos estes anos em que viveu em Vilar de Perdizes, trabalhou com todos os Presidentes de Junta do pós revolução. Há algum, ou alguns, cujo trabalho queira destacar? R. António Pilar, António Rito eJoão santos.
P. O Padre Fontes é considerado o “Pai” do Congresso de Medicina Popular e da sexta-feira 13. Com qual destes acontecimentos se identifica mais e porquê?
R. Com os congressos de Medicina Popular de Vilar de Perdizes.
P. Porque é que se investe tanto dinheiro na organização da sexta-feira 13 e tão pouco no Congresso de Vilar de Perdizes?
O congresso não tem merecido  tanto empenho da Câmara Municipal de Montalegre .  Abandonam responsabilidades  e alheiam-se de tudo, exceto nalguma animação e logística
P.  Lembra-se do dia 25 de abril de 1974? Onde estava?
Em Vilar de Perdizes na cama. Acordei com a Grândola Vila Morena, do Zeca Afonso.
P. O que representou para si a revolução?
R. O fim duma ditadura, sucedida por uma segunda,  rotulada de democrática e livre, com voz alta para políticos e militares, e pouca voz para os outros.
P.   Lembra-se do que fez nos dias seguintes à revolução?
R. Estive atento aosmass media, para sentir que era verdade e ia no bom ou mau caminho. Senti-me integrado no ideal da revolução, abri portas aos revolucionários sérios e colaborei com a criação do Jornal Noticias de Barroso, para dar voz aos Barrosões.
P. Como se refletiu o 25 de abril de 1974 no dia-a-dia das pessoas de Montalegre?
R. Partidarizou o povo, criou conflitos, divisões, ameaças, violência, algum medo.
Criaram se associações politizadas.
P.   Durante estes 40 anos de democracia, o Concelho de Montalegre só teve 4 Presidentes de Câmara (contando já com os seis meses de mandato do atual Presidente). Qual dos três, Carvalho de Moura, Joaquim Pires ou Fernando Rodrigues, é que acha que mais contribuiu para o desenvolvimento do Concelho e porquê?
R. Em razão do tempo e  mandatos, Fernando Rodrigues teve mais tempo, mais dinheiro, mais atenção e urgência nos projetos.A seguir, pelas mesmas razões, seria Carvalho de Moura.
P. Que balanço faz do trabalho desenvolvido por Orlando Alves nestes primeiros seis meses de mandato?
Não teve tempo de se revelar, nem de atuar, ou mudar rumos, ou aventar grandes investimentos, dada a limitação imposta pela crise.
P. Montalegre é hoje, em termos rodoviários, um Concelho isolado. Acha que a culpa é só do poder central ou o poder local é que não tem sabido reivindicar as obras a que temos direito?
A maior culpa recai na distância do poder central  às câmaras implicadas e ao desinteresse politico.
P. Que conselhos daria a Orlando Alves na definição das prioridades para o desenvolvimento do Concelho Montalegre?
R. Espero que se rodei de um conselho municipal apartidário classificado, que abarque todas as áreas das que depende o desenvolvimento concelhio, colaborando com as paróquias sobreviventes e dependentes. Que aposte na criação de empregos de guias turísticos credenciados, sinalização de tudo o que tem valor e procura. Que dialogue mais com a vizinha Galiza, acelerando a entrega dos Castelos  com mais atos culturais enquadrados. Que apoie os agentes empenhados no turismo rural. Que edite uma revista municipal, atrativa e impulsiva, motriz do progresso em todos os lugares e com todas as pessoas.
P. O Padre Fontes é um homem com uma obra enorme. Arrepende-se de alguma coisa que tenha feito?
Arrependo-me de não ter feito muito mais, de ter deixado o Noticias de Barroso no estilo  abrangente e criador de opinião positiva da auto-estima do nome e cultura, capaz de seduzir o país a descobrir  a nossa terra, investindo nela, fixando jovens,atraindo entidades escolares, de todos os níveis.
P. E o que é que acha que deveria ter feito e não fez?
Gostaria de ter publicado mais livros regionalistas, escrevendo temas urgentes, de modo a contribuir, através dacrítica, para o desenvolvimento do País.
P. Ainda tem alguns projetos em mente?
R. Organizar a minha biblioteca, digitalizar os 25 anos do Jornal Noticias de Barroso e pô-lo online. Abrir um centro de investigação com  o espólio que reuni, para apoio a universidades. Criar um museu na casa paroquial de Vilar de Perdizes, em união com o eco museu de Montalegre, com os meus objetos e com o tema alargado ao Perdigueiro Português, de foi seu mentor o Padre Domingos Barroso. No campo religioso dinamizaria a Senhora da Saúde, com atividades periódicas de cultura, religião e recreio.  Dinamizar o Hotel Rural de Mourilhe e a casa Fontes da Mijareta atraindo visitantes e investigadores. Restruturar  os gaiteiros de Pitões e grupos folclóricos de várias terras de Barroso.